É o sangue que agora encharca as partes outrora molhadas de prazer, renovando a fecundidade por mais quatro semanas de espera.
O ouvido distingue no burburinho da metrópole, no aconchego sonolento da cama, o canto agudo da cigarra anunciando aos quatro ventos um belo dia de sol quente, céu azul e nuvens cor-de-rosa, vermelhas, violetas, quando próxima e inevitável a chegada da noite.
A boca fértil que espalha no ar vozes de si e de outros, repovoando a vida de razão e talento. A palavra concedida para ser invólucro da verdade, espada ou carícia, que fere ou salva, que ergue ou abate. Que molha a si com as fartas gotas do banho, enquanto balbucia versos da hora que precedeu o amor, “my love I love to stay here”.
A saudade líquida se desfaz em lágrimas nos olhos de lembranças ternas de um sábado na rede, sob a bençãos das estrelas e um amor respeitoso e amigo, que vence o tempo e as distâncias e torna os amantes ainda mais cúmplices nessa aventura intensa.
O olfato que abastece as lembranças às portas de um armário aberto- como pode ser tão forte? Cheiro de um homem forjado entre as mãos e o sopro de um Deus grande e poderoso, que lhe concedeu braços capazes de esforço e carícia, e serenidade para instituir a paz e a alegria no meio em que atua. Deixas perfume e gosto de doçura onde pisas, amor.
A memória da pele de todo um corpo implora por uma massagem das mãos quentes, de um homem naturalmente ‘caliente’, e tributa-lhe uma admiração sagrada, um corpo que necessita o corpo teu pulsando em ritmo inexplicável. centro vital de uma mulher – seu coração – pulsa e palpita como um relógio, que espera, com a mesma serena expectativa por ouvir novamente as batidas do coração desse homem, que lhe aquece a vida e motiva a pulsação do seu próprio.
Um bem-querer jamais em vão, na luta perene pela manutenção da vontade, da ilusão e da diligência. Um milagre contínuo de sentir e ver a vida em sua totalidade, pensar e desfrutar de amor e pranto, tudo isso é um milagre.
Desentralaçando desassossegos e medos, incertezas e inseguranças. Sem a trama da aventura humana de existir. Sem lembrar da fragilidade de nosso barro. Simplesmente desfrutrar de cada segundo, em sua plenitude mais complexa e suave e terna, envolvidos por um escudo que amortece qualquer provocação. Enquanto essa bela noite pontilha de estrelas o céu, ela pensa que loucura seria tê-lo novamente em seus braços, em seu colo. Como anseia por seus beijos, sua pele tenra e essa boca mordida pelos próprios dentes.
Agosto 25, 2007 às 10:58 am
But they always meet together in the dark night of soul, no território livre dos sonhos, despetalando as palavras que guardaram no jardim das flores que plantaram juntos. Assitem ao esverdecer de toda aurora e nesse lugar onde ninguém é de ninguém, sabem-se totalmente entregues um ao outro, até que despertem para mais um dia.
Março 20, 2008 às 7:39 pm
Coisa linda. Texto daqueles que nos metem um sorriso na boca e uma vontade de ter escrito. Um beijo.