LXXI

Abril 1, 2008

Eu cantei, não nego, eu algum dia
Cantei do injusto amor o vencimento;
Sem saber, que o veneno mais violento
Nas doces expressões falso encobria.

 

Que amor era benigno, eu persuadia
A qualquer coração de amor isento;
Inda agora de amor cantara atento,
Se lhe não conhecera a aleivosia.

 

Ninguém de amor se fie: agora canto
Somente os seus enganos; porque sinto,
Que me tem destinado estrago tanto.

 

De seu favor hoje as quimera pinto:
Amor de alma é pesaroso encanto;
Amor de um coração é labirinto

 

Cláudio Manoel da Costa

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