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Fevereiro 3, 2009

Dorme, amor

Encerre essa vigília que se alonga por dias ardentes e noites estreladas

Cerre as pálpebras exaustas de tanta luz

Permita que a noite colha o negro profundo de seus olhos para cobrir o céu dessa noite

Eu estarei ao seu lado

Envolva o travesseiro, alivie suas mãos cansadas e doídas sob sua maciez

Ele será a suave brisa perfumada e você a borboleta voando no dossel desses braços

Somente hoje retirarei a semente de feijão colocada no estrado, abaixo de seus dezesseis colchões para incomodar-te

Num débil murmúrio, entoarei a canção morna, a lírica doação que nunca perece na concha de teus ouvidos

Desenharei em suas costas as mais belas constelações, ligando e refazendo cálculos de sardas de todo um universo

Um universo feminino docemente inebriado de sonhos e esperança

Sonharás com fadas e encantos, paragens, aves divinas, campos acetinados e cheiro de mar

Sem qualquer pertubação que te atormente

Mesmo que o canto do regato leve lágrimas ocultas aos seus olhos

Deus tratará de enxugá-las. Deus é o Deus dos Valentes.

E afinal, quem é essa mulher a quem a noite homenageia embriagada de alegria?

Dorme, amor

Não lhe será permitido revisitar as laranjeiras em flor mais de uma vez

Nem permanecer no porto aguardando o barco que enfrentará rios encaichoeirados e nos levará a nossa ilha no nascente

É já que o ar da magrudada desesperta com um beijo a vida que dorme

Dorme, amor.