Meu querido, meu velho, meu amigo

Março 31, 2009

“Seu passado vive presente nas experiências contidas nesse coração consciente da beleza das coisas da vida. Seu sorriso franco me anima, seu conselho certo me ensina,
Beijo suas mãos e lhe digo, meu querido, meu velho, meu amigo”

- Esse é o único pedaço da estrada que não dá pra correr direito.
- hum…
- Aí, olha! Cheio de mato, o mato invadindo a estrada. Porque a prefeitura também não corta o mato dele?
- Porque não é responsabilidade da prefeitura.
- Ah, não vai me dizer que é esse velho gagá que tem que cortar o mato?
- Não. É o Sérgio Cabral.
- E porque todo mundo tem o mato cortado pelo Sérgio Cabral e só ELE não tem?
- Talvez ele não seja bom com as pessoas.
Silêncio. Penso naquele velho chato, faz tempo que ele é velho e ainda assim não morre nunca, desde criança que ele já é velho… e respondo:
- É. Ele podia ter feito tudo e não fez nada pra ninguém, muito pelo contrário, deixa a estrada cheia de mato pra eu ter que correr no meio da pista. Além do mais tem aquele rottweiler que me odeia, fica latindo o tempo todo. Eu lembro do dia que cheguei cheia de malas, nem tinha asfalto e ele soltou aquela fera em cima de mim. Ui!
- Hum… (rindo já)
- Daqui a pouco sabe o que ele vai fazer? Ele vai colocar uma corrente e vai colocar aquele cachorro mal-amado pra me acompanhar na estrada, de ponta a ponta na divisa dele… Ai!!! que velho insuportável!!!
- Pronto! (papai exclama feliz) Agora você chegou onde eu queria.
- Porque?
- Porque se ele realmente fizer isso o que você vai fazer? Vai levar um bolo de carne, no primeiro dia. Um pedaço de angú no segundo e a cada dia que você for correr,o rottweiler vai ficar mais seu amigo. Tanto, a ponto de ficar perigoso pro próprio dono.
- Hum… boa idéia. Acho que posso fazer ele furar a grade do apiário quando o velho for lá ver o mel…
- Tsc, tsc, tsc… – papai balança a cabeça contrariado – Bruáca. Monstro do tio Orlando. Você não entendeu nada do que eu disse.

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