“Seu passado vive presente nas experiências contidas nesse coração consciente da beleza das coisas da vida. Seu sorriso franco me anima, seu conselho certo me ensina,
Beijo suas mãos e lhe digo, meu querido, meu velho, meu amigo”
- Esse é o único pedaço da estrada que não dá pra correr direito.
- hum…
- Aí, olha! Cheio de mato, o mato invadindo a estrada. Porque a prefeitura também não corta o mato dele?
- Porque não é responsabilidade da prefeitura.
- Ah, não vai me dizer que é esse velho gagá que tem que cortar o mato?
- Não. É o Sérgio Cabral.
- E porque todo mundo tem o mato cortado pelo Sérgio Cabral e só ELE não tem?
- Talvez ele não seja bom com as pessoas.
Silêncio. Penso naquele velho chato, faz tempo que ele é velho e ainda assim não morre nunca, desde criança que ele já é velho… e respondo:
- É. Ele podia ter feito tudo e não fez nada pra ninguém, muito pelo contrário, deixa a estrada cheia de mato pra eu ter que correr no meio da pista. Além do mais tem aquele rottweiler que me odeia, fica latindo o tempo todo. Eu lembro do dia que cheguei cheia de malas, nem tinha asfalto e ele soltou aquela fera em cima de mim. Ui!
- Hum… (rindo já)
- Daqui a pouco sabe o que ele vai fazer? Ele vai colocar uma corrente e vai colocar aquele cachorro mal-amado pra me acompanhar na estrada, de ponta a ponta na divisa dele… Ai!!! que velho insuportável!!!
- Pronto! (papai exclama feliz) Agora você chegou onde eu queria.
- Porque?
- Porque se ele realmente fizer isso o que você vai fazer? Vai levar um bolo de carne, no primeiro dia. Um pedaço de angú no segundo e a cada dia que você for correr,o rottweiler vai ficar mais seu amigo. Tanto, a ponto de ficar perigoso pro próprio dono.
- Hum… boa idéia. Acho que posso fazer ele furar a grade do apiário quando o velho for lá ver o mel…
- Tsc, tsc, tsc… – papai balança a cabeça contrariado – Bruáca. Monstro do tio Orlando. Você não entendeu nada do que eu disse.