Belo e impávido Gigante

Abril 28, 2009

Para construir a grandeza de uma pessoa existe uma equação despretensiosa, que desobriga o cálculo matemático quântico, mas exige o conhecimento físico, sobretudo visual e tátil e que se inicia com a soma de um metro e oitenta e seis centímetros mais o comprimento do sapato que calça um pé quarenta e três. Estime a colheita de dois anos seguidos dos ramos de sakurá que cobrem as colinas do bíceps braquial de um vermelho sangue. Calcule quilômetros de veias que conduzem litros do raro sangue, que serve a todos e como punição por ser tão generoso só se serve dele mesmo. Outras variantes menores são consideradas nessa engenharia como o tamanho curto do pavio da paciência para os desafortunados ou o incansável das carícias para o sexo; os dois centímetros do pêlo russo da barba que desafia a gravidade e é insistente em seu propósito em manter-se ereto em dissonância com seus pares; as dezesseis milhões de cores da íris verde atenta extraída de uma imagem de mar; as centenas de alvéolos pulmonares envenenados por nicotina e as dezenas de fragmentos de ossos perdidos na carne depois de quedas e brigas… a cavidade nasal obstruída. Equacione essas variáveis com um apetite colossal, uma vontade intensa de vida, um jeito manso e grave de falar e espontâneo de se divertir e de procurar graça nas mínimas coisas. Entregue o resultado em uma palma com ângulo curto de abertura, repleta de calos e cortes e linhas que revelam seu futuro espelhado em grandeza e que, adicionada aos dez dedos são capazes de afagos suaves ou força descomunal… As mãos talham então os números dessa minha equação mágica, transformando a brutalidade da rocha em um dorso macio que poderá servir de abrigo quando não estiver operando em sua designação maior como Gigante, belo e impávido, pela própria natureza.

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