O Pequeno Princípe conta que assistiu quarenta e três vezes ao por-do-sol. Um amigo ouviu Ugly Sun 211 vezes em menos de 12 horas. Aquela balada vestiu sua alma num dia ressentido e nublado. As crianças são capazes de repertir um filme inteiro, antes mesmo dos créditos subirem elas já estão com o dedinho no play pra repetir as frases e canções guardadas no dual-core. Quando gostamos das coisas queremos repetir. De tão simples, chega a ser tolo. Mas repetimos o prato, repetimos a dose, repetimos a música, repetimos o filme, repetimos a roupa… e repetimos também o amor. Como é fantástico se reapaixonar pela mesma pessoa! Conside as alterações de cenário, as dissonâncias entre o compasso do amadurecimento, respeitando as diferenças e os limites de cada um… É incrível quando acordamos e de repente, repetimos os pensamentos pueris da paixão, repetimos o sorriso no rosto por resgatar as lembranças no baú das memórias, repetimos o suspiro da ausência completa de palavras. É ótimo se reapaixonar pela pessoa a seu lado há tanto tempo, mesmo que de alguma forma isso parta o seu coração. Ou ainda que você tenha que repetir mil vezes o refrão de um bolero. Se reapaixonar é a versão aprimorada da paixão. Conseguir se reapaixonar muitas vezes pode ser o segredo do que significa permanecer junto, happily ever after. Junto que não quer dizer perto, mas sim dentro, com dizia Leo da Vinci. Essa é a balada do coração que parte, mas por querer repetir, ele sempre percorre milhas e milhas, e se reapaixona sempre. Sempre pela mesma pessoa.