Daquilo que vemos há sempre mais a ser visto.
O que olhamos hoje com miopia, sigularidade e graça, olharemos amanhã com altivez, com horizontes e punjança.
No entanto, enganam-se todos sobre o olhar.
Apenas o olhar do humilde saber ver.
Não há nele o desejo de consumo do mundo, das massas.
Seus olhos não se seduzem pelo efêmero.
Ele tem o olhar calmo e doce.
Pousa delicadamente suas íris em objetos e cousas que ninguém mais vê e se admira e agradece por elas.
Seus olhos anônimos não podem ser notados pela multidão apressada. Só eles notam a criança que chora no seio da mãe.
Eles não vêem as lágrimas, eles vêem fome e dor.
Enquanto os outros olham para a cidade, ele olha para o chão em busca de sementes, pequenas flores ou pólem que indiquem o renovado outono.
Eles permanecem despertos entregues em cândida rendição observando os filhos estirados na cama enquanto dormem e vê neles estátuas de mármore branco.
Opalina certeza dos desígnios do inexplicável.
A beleza que os olhos dos humildes encontra está em toda parte: na onda que quebra, nos sinais de trânsito, na cadeia de montanhas, nas milhares de estrelas, no frio, no calor, no canto, na dança, no pequeno, no imenso, no riso, no pranto, no preto e no branco.
Só os humildes, porque não precisam consumir o mundo, eles sim sabem o que é ver.
Eles vêem seu amor refletido no outro numa atitude de entrega tão incondicional que envergonha e embota de lágrimas os olhos cegos alheios.
Arquivo para março, 2010
março 18, 2010
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março 8, 2010Esqueça como é a expectativa,
ele está te esperando depois da aula.
Esqueça onde fica sua garagem,
pense demais e passe a entrada, a agulha, a vaga.
Esqueça de falar da sua vida e do antes,
recupere as fotos na caixa, conte histórias, chore e sorria.
Esqueça quando você aprendeu a esquecer.
Lembre-se do quanto faz bem lembrar.
Esqueça como é dividir da cama,
revire-se, lute por seu espaço e deixe-a ruidosamente.
Esqueça que a felicidade é a melhor maquiagem,
sorria muito, bem largo e veja seu lindo reflexo no espelho.
Esqueça de ser gentil, tolerante, amável,
dê abraços eternos e longos beijos, lentos e ardentes.
Esqueça a proposta de ter alguém só pra você,
aceite o desafio, mesmo que sejam poucas horas.
Perca-se no labirinto das confusões mentais,
tente não racionalizar tanto assim.
Como talvez você se perca e se esqueça,
marque o chão com uma trilha de pão.
Em meu colo e em minhas costas.