O diálogo acontece num sítio no Carmo entre eu e uma tia doce e firme tal qual rapadura:
- “Outro dia eu fui no médico e ele perguntou como era minha vida sexual”
Ela embola as mãos, indicando que é desconcertante introduzir esses assuntos. Uma flor.
- “Então eu disse que era tudo normal, que não tinha nada de errado não”
Eu ri.
- “Mas falei pra ele que gosto de ser tratada com uma dama. Não sou um cavalo que se monta. Gosto que aconteça tudo direitinho, sabe?”
- “Sei, sim”. Respondi com um pingo de lamento porque são coisas raras, mas continuei: “Lentos e longos beijos, exploração de toda menor geografia do corpo, observação de cada detalhe… despir-se bem devagar e passar a noite toda amando”.
Ainda bem que eu sei como é.