- Incompetentes precisam de sorte. Você não.
- Eu gostei disso, vou tatuar aqui desse lado do tronco, era exatamente essa frase que eu procurava.
Era um jacarandá grande e forte, com várias inscrições no caule deixadas por outrem. Embora ele fosse majestoso na proporção e área de sombra, a pequena delicada e florida cerejeira tinha mais primaveras contadas e acumulava mais experiência de vida.
- Quer ver o que eu faço com esses galhos aqui? Eu contorço pra cá e contorço pra cá e eles se parecem com o bigode do Bobinsky.
Muitas gargalhadas sonoras.
- Vamos deixar que as pessoas também vejam, está muito engraçado.
Uma noite, ela reclama do frio. Ele estica suas hastes e a envolve gentilmente. Só então ela percebe que ele é um gigante, e ele percebe como ela é pequena.
- O que importa é que sejamos sempre amigos, já que habitamos essa colina esférica.
- Sim, e que a gente possa se divertir com as pessoas que vem desfrutar da sua sombra e da minha beleza.
Um dia, apareceu um poeta e sua namorada. Eles ficaram admirados com a energia que envolvia as duas árvores e ele então cantou: jacarandá essa cerejeira gosta muito de você, pois não se acanha em se apresentar ao lado teu.
Um dia, colocaram um poste de luz amarela opaca próximo à cerejeira.
- Não vejo mais as estrelas.
O jacarandá acomodou-se, definitivamente, de uma maneira que um ramo bem robusto cobrisse a luz.
- Agora vejo todas elas. E elas nos vêem.