Se preferes ficar algemado ao que considera ideias próprias, que não passam de velhos conceitos com nova roupa que estava guardada no ármario que você mesmo barganhou, então, eu prefiro me manter a distância de você.
Porque cedo ou tarde serás penalizado pela solidão que cultivas com suas certezas.
Pode querer enganar seu espelho, mas sua face sorridente de outrora, agora se faz presente em marca embolorada e suja em seu semblante macilento. Não há sorrisos nem alegria, nem por fora, nem por dentro. Vejo em você o egoísta mesmerizado com a imagem que construiu ao seu redor com outros infelizes que compartilham do mesmo tédio. Preocupações enfadonhas e desprovidas de qualquer interesse alheio.
Há muito mais em você que me causa desprezo. A insistência em não ver a vida com olhos maduros, em não assumir as escolhas sobre as quais nunca tens certeza, a necessidade de se manter em masmorras de veludo vermelho apenas para provar sua gigantesca insegurança.
É triste. Porque é você. Morrendo em plena vida. Digno de pena. Se esgueirando à margem do tempo enquanto se arrepende e, ao mesmo tempo, peca em erros grotescos.
Se prefere uma vida fútil, ou se é apenas essa migalha o que é capaz de oferecer em seus pratos adornados em ouro e cravejados em valiosos rubis que tanto fazes questão de exibir, te suplico que me reserve desse indigesto banquete.
Porque cedo ou tarde perceberás que a dor que inocentemente causas, destruirá qualquer oportunidade generosa do perdão.
Quero que tome seu caminho e terei gosto em me esquecer de te dizer adeus. Seu ego alterdigirido nem perceberá em seu retorno a sua casa o peso de qualquer palavra minha. Isso explica inúmeras tentativas exasperadas em mostrar meu desinteresse. Vá embora, enquanto a vida continua chorando por você.
É triste. Porque sou eu. Pagando pelo mal que te causei. Caminhando no breu. Preferindo ardentemente sua ausência muda.