Arquivo para novembro, 2011

A passarela

novembro 11, 2011

São 20 horas e trinta minutos de um inusitado 11 de novembro.

Me lembro bem.

Chove bastante.

Você dorme há horas no quarto que fora o da tevê um dia.

Apareceu  de surpresa num combinado impulsivo.

Quase totalmente imprevisível.

Introduzi todas as centelhas de vida que me alimentavam.

Repassamos em um dia o tempo que vivemos separadamente.

Como?

Ainda não sabemos, mas trocaremos um abraço.

O céu explodirá em bilhares de estrelas.

E por fim, ajoelhada, te entregarei o que sempre fora seu.

 

Ainda não chove, estamos procurando um ao outro entre um milhão de pessoas.

Você está ao final da passarela que separou nossos mundos para sempre.

Ou talvez meu orgulho o tenha feito.

Está em pé. De camisa branca e cabelo desfeito.

E eu sou a mulher mais feliz do mundo nesse momento.

 

Nada disso

Nem o amor

Nem a passarela

Nem sua paciência

Nem a chuva

Nem o sótão

Nem a suave colisão dos corpos

Nada existe mais.

 

Apenas o dia 11 de novembro.

 

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