São 20 horas e trinta minutos de um inusitado 11 de novembro.
Me lembro bem.
Chove bastante.
Você dorme há horas no quarto que fora o da tevê um dia.
Apareceu de surpresa num combinado impulsivo.
Quase totalmente imprevisível.
Introduzi todas as centelhas de vida que me alimentavam.
Repassamos em um dia o tempo que vivemos separadamente.
Como?
Ainda não sabemos, mas trocaremos um abraço.
O céu explodirá em bilhares de estrelas.
E por fim, ajoelhada, te entregarei o que sempre fora seu.
Ainda não chove, estamos procurando um ao outro entre um milhão de pessoas.
Você está ao final da passarela que separou nossos mundos para sempre.
Ou talvez meu orgulho o tenha feito.
Está em pé. De camisa branca e cabelo desfeito.
E eu sou a mulher mais feliz do mundo nesse momento.
Nada disso
Nem o amor
Nem a passarela
Nem sua paciência
Nem a chuva
Nem o sótão
Nem a suave colisão dos corpos
Nada existe mais.
Apenas o dia 11 de novembro.