Fevereiro 3, 2009

Dorme, amor

Encerre essa vigília que se alonga por dias ardentes e noites estreladas

Cerre as pálpebras exaustas de tanta luz

Permita que a noite colha o negro profundo de seus olhos para cobrir o céu dessa noite

Eu estarei ao seu lado

Envolva o travesseiro, alivie suas mãos cansadas e doídas sob sua maciez

Ele será a suave brisa perfumada e você a borboleta voando no dossel desses braços

Somente hoje retirarei a semente de feijão colocada no estrado, abaixo de seus dezesseis colchões para incomodar-te

Num débil murmúrio, entoarei a canção morna, a lírica doação que nunca perece na concha de teus ouvidos

Desenharei em suas costas as mais belas constelações, ligando e refazendo cálculos de sardas de todo um universo

Um universo feminino docemente inebriado de sonhos e esperança

Sonharás com fadas e encantos, paragens, aves divinas, campos acetinados e cheiro de mar

Sem qualquer pertubação que te atormente

Mesmo que o canto do regato leve lágrimas ocultas aos seus olhos

Deus tratará de enxugá-las. Deus é o Deus dos Valentes.

E afinal, quem é essa mulher a quem a noite homenageia embriagada de alegria?

Dorme, amor

Não lhe será permitido revisitar as laranjeiras em flor mais de uma vez

Nem permanecer no porto aguardando o barco que enfrentará rios encaichoeirados e nos levará a nossa ilha no nascente

É já que o ar da magrudada desesperta com um beijo a vida que dorme

Dorme, amor.


Ana e Bô falando do Bodão

Novembro 23, 2008

Dez anos depois, os melhores amigos estão ao telefone:
- A gente tem brigado muito, ele não está entendendo essa fase e aí acaba me ofendendo.
- Mas brigar com amigos é normal, todo mundo uma hora briga, sai na porrada, jura que não olha na cara, quer que o diabo morra, fica pensando em tudo o que ele sabe de segredo seu, mas depois volta tudo ao normal.
- Bô… ele fica me jogando na cara que eu brigava até com os meus amigos, que briguei com você… Você lembra que a gente brigou?
- Lembro, a gente ficou uns três meses sem se falar.
- Você lembra por que?
- Lembro.
- Você falou que eu era como um menino, que gostava de coisas de menino e eu fiquei uma fera.
- É engraçado – e ri.
- Por quê?
- Porque essas coisas são as que eu mais gosto em você.

(Postado em 2006, em meados de setembro, no meu antigo blog)


Terra é terra

Abril 22, 2008

Ainda não é inverno, mas o frio já chegou aqui. O sol alto e o céu muito azul com nuvens ralas, esparsas, evidenciam uma bela segunda-feira sem muito o que fazer. Pegamos a estrada de terra que ainda não sabemos em que estado está, com as chuvas era certo encontrar atoleiros nos 10 quilômetros à frente. Era um dia de sorte. Um caminhão, provavelmente de areia, teria passado muito bem antes de nós e coberto os pontos críticos por onde poderíamos ter agarrado. Com todo o respeito que existe entre automóveis e estradas de chão, vamos entrecortando as montanhas, atravessando o rio de um lado e de outro em pontes de madeira trepidantes, com ripas soltas, que gelo no estômago! O mato que cresce no meio do caminho revela o baixo tráfego de pessoas e rodas. Uma paisagem bucólica, verde, iluminada. Um pau-d’alho exibe sua força suntuosa nas raízes que descem o barranco e quase encontram a estrada. “É a curva da Fazenda da Alegria”, da qual só sobraram as ruínas de pedra dos muros que a cercaram um dia. Um sombreiro de bambus. “Aqui uma vez o papai veio buscar o amigo do filho da D. Julieta. Um mensageiro a cavalo foi lá em casa pedir ajuda e o vovô veio com tio Eraldo. Ele tinha sido mordido de cobra e era filho do general Lotz. Esse general Lotz era um cara muito temido, tinha sido imposto governador e era influente na baixada fluminense. Papai vazou aqui por dentro e foi sair lá na ponte de Berçot. O tio Eraldo voltou pra casa a pé, chegou às seis horas da tarde, pra dar notícia pra vovó”. Assim vai falando meu pai. Enquanto presta atenção na estrada, aponta a história daquela terra, fazendo uma paradinha aqui outra ali – estamos entre os quatrocentros alqueires da Fazenda São Lourenço. Uma curva, muitas casas e já se vê o telhado. Fazenda velha essa. Do tempo em que as telhas eram moldadas nas coxas. Casa imponente. Muitas grandes janelas, muito altas, guardando salas com espelhos bisotados e folheados a ouro. Cada sala um estilo. A biblioteca com um exemplar manuscrito do Rei Lear. De repente, um jardim aberto, no meio da casa, para uma piscina de água corrente. Uma capela. Todas as paredes caiadas de branco, janelas e portas em verde. Um amplo terreiro de café, tomado pelo mato. Lodo nas escadarias do acesso principal. Um curral descuidado. Um duto seco de água que um dia abasteceu o engenho de cana, a casa e a piscina. “Aqui era uma escola, olha”. Bonito de imaginar as reuniões e as pessoas que estiveram ali há 100, 200 anos. Triste de ver seu destrato. Entre os rastro da boiada que circula por onde um dia foi jardim da casa, manobramos nosso carro, meu pai um pouco contrariado de passar o pneu na bosta. Ele sempre me disse que bosta de vaca é muito ácida e corrói a lataria. “E se acontecesse com você? Eu te pergunto: você ia preferir viver na miséria ou vender suas terras pra ter uma vida mais digna?”. Penso um pouco antes de responder e olho praqueles colos verdes infindos de terra. “Terra é terra. Não é uma coisa da qual se desfaz. Além do mais, terra assim é crédito, pode não ser dinheiro no bolso, mas é cooperativa, é parceria com instituições agrícolas, universidades. Você pode diversificar, se associar a muitos. Esse é meu jeito muito peculiar de ver as coisas, pai. Ninguém que tem terra pode passar fome”. Não sei que resposta ele esperava, mas essa resposta deu seqüência a uma série de comentários sobre os quatrocentos alqueires da Fazenda do Coqueiro, e ao mesmo tanto da Fazenda do Canteiro… até que encontramos novamente o asfalto para a Fazenda do Barro, o sítio São José, meus extensos domínios alegrenses.


A festa do meu vizinho

Abril 8, 2008

Chuva na metrópole, faróis altos para romper o breu, prédios geminados, janelas devassadas. Era assim ontem à noite. Ontem foi aniversário do meu vizinho. Eu só o vi uma vez, num final de semana, pela alvorada. Trajando uma cueca samba canção molhava as plantas. Ele tem poucas plantas, mas tem um bambu mussô pomposo. Aqui só duas orquídeas e uma flor de maio que floresce em julho. É uma varanda grande e três janelas de quartos e uma maior que abre para a varanda. Aqui só tem duas janelas. Ontem a varanda estava cheia. Um senhor de alva cabeleira apoiado na grade, outros sentados nas quatro cadeiras de vime com encosto em brim natural, entre duas mesinhas circulares dispostas de forma a não atrapalhar a passagem. Transeuntes para todos os lados. Aqui só vazio e solidão, nada atrapalha meus passos desconfiados. Luzes todas acesas, muita claridade e rubor nas faces. Aqui só escuridão. Muitas camisetas brancas, havia um rosto estampado e uma frase ilegível. Aqui uma gola rolê preta, um rosto desfigurado e muitas frases sem qualquer nexo. Eles cantaram o “Parabéns para Você” três vezes. Devem ser trigêmeos. Ou meu vizinho escapou três duas vezes da morte. Ou ele, o pai e a mãe nasceram no mesmo dia. Aqui, silêncio… ouvia apenas o trabalho vital de obtenção de ar. Crianças giravam seus pezinhos entre pernas adultas, soltavam gritinhos de susto e povoavam o ambiente com os sons da alegria. Aqui só tristeza. Cristal conservado em armário por anos, tilintava em brindes de felicidades e muita saúde. Aqui só dor, desânimo, desamor. Se uma alma desatenta da fantástica festa tivesse reparado no apartamento apagado da frente, talvez percebesse minhas órbitas nas trevas. Os pingos da chuva que escorriam pela janela fariam parecer que eu chorava.


LXXI

Abril 1, 2008

Eu cantei, não nego, eu algum dia
Cantei do injusto amor o vencimento;
Sem saber, que o veneno mais violento
Nas doces expressões falso encobria.

 

Que amor era benigno, eu persuadia
A qualquer coração de amor isento;
Inda agora de amor cantara atento,
Se lhe não conhecera a aleivosia.

 

Ninguém de amor se fie: agora canto
Somente os seus enganos; porque sinto,
Que me tem destinado estrago tanto.

 

De seu favor hoje as quimera pinto:
Amor de alma é pesaroso encanto;
Amor de um coração é labirinto

 

Cláudio Manoel da Costa


O Ateneu

Fevereiro 14, 2008

Resgatado do baú de velharias, notações com mais de 10 anos, em folha timbrada da Coordenadoria Regional Metropolitana II, com um rabisco de recado rasgado no meio. Pertinente com os assuntos tecnosensoriais publicados no preto-rosa, o alterego do branco-azul:

“O primeiro momento contemplativo de um amoroso foi o advento da estética, no gozo visual das linhas da formosura, nas delícia auditiva de uma expressão inarticulada, que fosse emitida ante do aroma indefinido da carne. A obra de arte do amor é a prole, o instrumento é o desejo.

Depois da arte primitiva fundamental do tato, a arte do ouido. A obra de arte é a frase sentida, hábil para produzir emoção, o instrumento é a linguagem.

Esta arte devia mais tarde ramificar-se em eloqüência propriamente e poesia popular, graças à aproximação híbrida da terceira arte, do ouvido, a música.

Com o progresso humano, o sentimento artístico da simetria e harmonia destacou-se analiticamente da arte de amar. E, depois da arte primordial, descendente imediata do instinto erótico, da qual se desprendera, sob a forma selvagem das interjeições primitivas, a arte da eloqüência; e em seguida, sob a formade expressões homométricas, a poesia popular e a primeira música; nasceram as artes intencionais, de imitação, da escultura, da arquitetura, do desenho. Depois da poesia popular, amorosa ou erótica, veio a rapsódia.

Ainda mais, segundo um traçado naturalíssimo de filiação o sentimento da simetria, traslado para a esfera das relações sociais, serviu de plano à organização das religiões filhas do pavor, e das moralidades, invenção da maioria dos fracos. Com o predomínio insensato das religiões, o amor deixou de ser um fenômeno, passou a ser um ridículo ou uma coisa obscena.

Por um raciocínio de retrocesso, ponderamos que a moralidade é a organização simétrica da fraqueza comum, que a religião é a organização simétrica do terror, que a simetria é a norma artística das imitações plásticas da ingênua admiração da criatura primitiva.”

Cópia da página 126 de O Ateneu, caído em minhas mãos numa tarde paulista muito quente de 1997, na esquina da Rua Tiradentes.


Pequena margarida

Janeiro 7, 2008

Essa noite estivemos juntas, num tempo que não era passado, nem era futuro.
Eu, fragmentada pelo pesadelo que me abatera minutos antes, subia a Rua Paraíba do Norte e o enorme portão de madeira naval estava entreaberto. Logo avistei você, Lorena, cor de rosa, carregando uma mochila da mesma cor, veio correndo, sorrindo, em minha direção… mas era grande, parecia ter uns sete anos. Linda, perfume de flor. Ah! Nos abraçamos muito, como se estivéssemos separadas pelo tempo.
Como poderia isso ocorrer?
Gentil princesa, e agora, que te sei febril, o que farei? Não tenho pensamentos, ou fome,
ou frio, ou sede, nada consigo fazer. Amor da mamãe, volta logo, ou quem adoece sou eu.


Horário de verão

Outubro 14, 2007

O encontro

- Cadê você? Já faz um tempo que estou aqui e… você não vem? Está atrasado!
- Ai, eu perdi a hora. Estava na piscina, perguntei as horas pro meu avô e ele, como todo velho, já tinha trocado o horário de verão e então, estou atrasado!
- Legal, agora temos ainda menos tempo! Aonde você está? Tô indo de buscar.

O desencontro

- Certo, você me liga assim que estiver liberado.
- Hum hum.
- Você acha que demora?
- Não, ainda mais que hoje troca o horário… Não, não mesmo, sem chance, você vai embora amanhã…
- Combinado. Então, estou esperando você ligar.


Manifestações de um corpo embotado de sentimento

Agosto 11, 2007

É o sangue que agora encharca as partes outrora molhadas de prazer, renovando a fecundidade por mais quatro semanas de espera.

O ouvido distingue no burburinho da metrópole, no aconchego sonolento da cama, o canto agudo da cigarra anunciando aos quatro ventos um belo dia de sol quente, céu azul e nuvens cor-de-rosa, vermelhas, violetas, quando próxima e inevitável a chegada da noite.

A boca fértil que espalha no ar vozes de si e de outros, repovoando a vida de razão e talento. A palavra concedida para ser invólucro da verdade, espada ou carícia, que fere ou salva, que ergue ou abate. Que molha a si com as fartas gotas do banho, enquanto balbucia versos da hora que precedeu o amor, “my love I love to stay here”.

A saudade líquida se desfaz em lágrimas nos olhos de lembranças ternas de um sábado na rede, sob a bençãos das estrelas e um amor respeitoso e amigo, que vence o tempo e as distâncias e torna os amantes ainda mais cúmplices nessa aventura intensa.

O olfato que abastece as lembranças às portas de um armário aberto- como pode ser tão forte? Cheiro de um homem forjado entre as mãos e o sopro de um Deus grande e poderoso, que lhe concedeu braços capazes de esforço e carícia, e serenidade para instituir a paz e a alegria no meio em que atua. Deixas perfume e gosto de doçura onde pisas, amor.

A memória da pele de todo um corpo implora por uma massagem das mãos quentes, de um homem naturalmente ‘caliente’, e tributa-lhe uma admiração sagrada, um corpo que necessita o corpo teu pulsando em ritmo inexplicável. centro vital de uma mulher – seu coração – pulsa e palpita como um relógio, que espera, com a mesma serena expectativa por ouvir novamente as batidas do coração desse homem, que lhe aquece a vida e motiva a pulsação do seu próprio.

Um bem-querer jamais em vão, na luta perene pela manutenção da vontade, da ilusão e da diligência. Um milagre contínuo de sentir e ver a vida em sua totalidade, pensar e desfrutar de amor e pranto, tudo isso é um milagre.

Desentralaçando desassossegos e medos, incertezas e inseguranças. Sem a trama da aventura humana de existir. Sem lembrar da fragilidade de nosso barro. Simplesmente desfrutrar de cada segundo, em sua plenitude mais complexa e suave e terna, envolvidos por um escudo que amortece qualquer provocação. Enquanto essa bela noite pontilha de estrelas o céu, ela pensa que loucura seria tê-lo novamente em seus braços, em seu colo. Como anseia por seus beijos, sua pele tenra e essa boca mordida pelos próprios dentes.


Serpentina, serpentina

Junho 22, 2007

Sentada na escadaria de pedras, atenta aos movimentos das constelações, uma longa saia lhe serve de abrigo para o frio. É verão. Beberam, comeram e se divertiram o dia todo. Ela parecia cansada, mas seu semblante guardava uma serenidade feliz. De quem não sabe se seus sonhos da noite anterior irão se realizar, mas de quem conhece o amor de verdade e é feliz somente por saber tê-lo. Ele se junta a ela, na noite estrelada, como uma criança travessa que percorre toda a sala de tábua corrida da velha fazenda e desce as escadas correndo… ela sente uma lufada quente, de um corpo quente, um coração ardente. Com muito mais e menos menos, começa então o que ela sabe muito bem quando começa. Mas não sabe quando ou como termina.


sonhos…

Maio 20, 2007

Sejam eles as representações de nossos medos ou desejos do corpo ou da alma, não importa.

Ando sonhando mais acordada que dormindo.

Sonho com dias calmos. Com uma rotina estável. Parece estranho vindo de mim.

Mas preciso de uma agenda que não contenha nenhum horário preeenchido.

Sequer um aniversário,  que não tenha ligações esperando para serem completadas.

Espero ler meus livros à sombra da árvore mais frondosa do pasto.

Espero ouvir minhas músicas favoritas deitada no tapete, olhando para o teto da sala.

O tempo… ah! esse traquinas, que zomba de mim. Me tira o sono, a fome, a criatividade, a a escrevessência….

Enquanto isso, sonho. No ônibus, no metrô. Com dias mais longos, talvez. Ou com uma mudança breve.

Sonhar, pelo menos, não me custa nada. Nem há comerciais no intervalo entre os sonhos. Ainda.


Durma com um barulho desses

Maio 7, 2007

São vozes na esquina
Gente bêbada se afogando no riso
Fogos estourando a linha do som
Vento  invadindo a janela
Frio… muito frio
A geladeira abrindo sozinha
Pés se arrastando pela casa
Alguém assistindo TV
Medo… Sonho ou realidade?
sonho.
Mas como dormir com um barulho desses?


Na rede…

Abril 25, 2007

Dormia e sonhava – de manso cheguei-me
Sem leve rumor;
Prendi-me tremendo e qual fraco vagido,
Qual sopro da brisa, baixando ao ouvido,
Falei-lhe de amor!

Ao hálito ardente o peito palpita…
Mas sem despertar;
E como nas ânsias dum sonho que é lindo,
A virgem na rede corando e sorrindo…
Beijou-me – a sonhar!

Casimiro de Abreu


De leve

Abril 14, 2007

Foi acontecendo devagar. Palavras dispersas e dissimulação encobriam o que – hoje sei – era evidente. Como é bom a expectativa da dúvida, a incerteza do risco e maravilhoso o tempo que levamos para nos apropriarmos de nossos melhores sentimentos.

Abriu a porta e entrou de leve. Pisou com pés de lã o chão árido e semeou flores coloridas e perfumadas, que emolduram a minha visão – tudo o que vejo, mesmo dormindo – desde então.


El ápice

Abril 2, 2007

Eu sinto muito a falta sua.
Sinto falta de ouvir sua respiração.
De ver seus gestos mansos.
Sua agilidade nas respostas.
Tá. Vou considerar que você anda meio fora de forma.
Mesmo assim, eu realmente prezo sua companhia.
Você é parte do que me constitui.
Afinal de contas, você não seria o que é sem mim.
Eu quase te vi nascer.
Eu cuidei de você enquanto foi um cagalhão.
Eu dei o nome que você tem.
O respeito que todos têm por você foi eu que creditei.
Mas eu queria você aqui. Agora.
Mais um daqueles paradoxos inexplicáveis.
Para ter o paraíso você precisou ficar longe.
Eu penso sempre em você.
Eu até vejo você na rua às vezes.
E um sorriso largo é inescapável aos lábios.
Eu queria correr com você na praia.
Seria sublime.
Você portaria uma garrafinha de água.
Eu ouviria nossa banda favorita.
E todo mundo ficaria olhando.
Nossa amizade perfeita.
Todo o amor que nos rodeia.
Nossa cumplicidade mais cara.
Meek, pra quê que eu te levei pra Barra Alegre?
Você faz falta, meu cão.